Ela falava alto, não escondia (ou não conseguia fazê-lo) o tanto de emoção que cada palavra carregava. Era uma clínica. Daquelas chamadas clínica de imagem. Mas isso pouco interessa, pois o que realmente importava para ela, naquele dia, não era um diagnóstico médico.
Demorei a perceber quem estava do outro lado. Não me culpe se eu ouvia a conversa. De fato, ela tentou evitar. Mas não era algo que se pudesse evitar. Ainda que na sala tivessem crianças correndo e gritando e uma televisão ligada no desenho animado de todas as manhãs.
Do outro lado da linha, um rapaz, por quem a moça nutria uma paixão. Era clara a ausência de reciprocidade. Ela cobrava, pedia mais atenção, queria saber onde ele estava, por onde tinha andado. E, mesmo que não se pudesse escutar o que ele respondia, ficava óbvio que tudo que ele queria era que ela não tivesse telefonado.
Ele dizia que passou o fim de semana na casa da mãe. Ela dizia que a distância que sempre existiu entre eles era acentuada pelas ações dele. Ela cobrou - indiretamente, é verdade - que ele correspondesse ao tempo que ela passou investindo nele.
Em algum momento, ela resolveu virar-se para a parede, na tentativa de evitar a atenção dos que estavam por perto. No entanto, sua voz refletia no obstáculo e ressoava ainda mais clara.
Percebi que aquele era um dia doloroso para ela, a moça que tomou o elevador em que eu já estava e foi para a mesma clínica que eu ia. Uma mulher que, a cada palavra, perdia seu amor próprio e implorava por uma atenção que nunca será exclusivamente dela.
Esse blog servirá como um tipo de terapia, através dele vou tentar exorcizar todos os males que me atingem, sejam eles meus ou não.Vou conseguir?!Não sei.
quarta-feira, julho 28, 2010
sábado, julho 24, 2010
sexta-feira, julho 23, 2010
Com o tempo descobrimos a riqueza de estar só. Fortalecer-se, descobrir-se. O que gosto, o que quero, o que sonho. Vou despertando a mulher que há em mim. Com poucas interferências. Não há uma sociedade. Somos eu e meus posicionamentos. Só.
Sem dar satisfações, vou sendo mais eu. Gosto de quem sou. Poderia ser eu, mais vezes. Por que me deixo influenciar tanto? Sou essencialmente bela.
Sem dar satisfações, vou sendo mais eu. Gosto de quem sou. Poderia ser eu, mais vezes. Por que me deixo influenciar tanto? Sou essencialmente bela.
sábado, julho 10, 2010
sexta-feira, julho 09, 2010
Em um dia chuvoso em Salvador...
É bom ver coisas realmente resolvidas. Ainda que seja incômoda a tentativa de um ex de reaparecer para mexer com coisas do passado. :: e já se vai mais de um ano. ele tentou algumas vezes, mas a minha negativa é permanente :: Hoje, mais uma vez, fui enfática. É a alegria de resolver algo que foi apaixonante no início, mas que, com o tempo, foi marcando mais pelos pontos negativos do que pelos positivos.
A parte mais engraçada foi o início, quando ele jogou a culpa do fim do namoro pro meu namoro anterior. Talvez ele não se lembre que acabou quando ELE me largou sozinha e disse que não tinha estrutura pra enfrentar o processo da doença que eu estava passando (doença física, nada mental, só pra garantir). Tudo seria até ok, se ele não tivesse sido o transmissor da doença que eu tinha que tratar (calma! eu não estou morrendo) e se não tivesse saído da forma mais sacana possível - esperou que eu entrasse no banheiro e FUGIU, literalmente. não sem desligar o celular antes, pra evitar ligações escandalosas.
Ele: Você sabe qual era o nosso problema, hã?
Eu: Confesso que não penso nisso...não sei não
Qual era?
Ele: Não lembra?
Você nunca ligou pra minha mãe. Depois que a gente terminou você deve ter vindo aqui em casa umas 2 x no máximo.....
Na "casa" da mãe do aqui tinha o nome do meu ex antes dele você ia toda semana, 2x ou 3x
Eu: Bem...é uma pena que vc tente comparar...
Tinha uma relação de nora e sogra com sua mãe
E uma relação de mãe e filha com aqui tinha o nome da minha ex-sogra, até hoje
Quando eu falei que sou feliz por nunca termos voltado, ele resolveu apelar:
Ele: Eu fui tão mal assim?
Eu: Não fizemos bem um ao outro juntos
Vc tem novas chances
Eu tenho novas chances
Ele: Confesso que às vezes tenho boas lembranças do nosso namoro.
Eu: Confesso que quis superar logo de cara...
Demorei muito...
Sofri, chorei...
Mas me reergui
E, por um tempo, tive mais mágoa do que alegrias...
Hj, pra mim, foi um tempo que passou
Tenho bem resolvido...lá no passado
Ele: Então... Está morto e enterrado?
Eu: Há muito tempo
Ele: Por curiosidade.
Haveria alguma chance de ressuscitar?
Eu: nenhuma
Nunca direi nunca
Mas não vejo alternativas hj
Esse é um feliz adeus. Feliz mesmo.
É bom ver coisas realmente resolvidas. Ainda que seja incômoda a tentativa de um ex de reaparecer para mexer com coisas do passado. :: e já se vai mais de um ano. ele tentou algumas vezes, mas a minha negativa é permanente :: Hoje, mais uma vez, fui enfática. É a alegria de resolver algo que foi apaixonante no início, mas que, com o tempo, foi marcando mais pelos pontos negativos do que pelos positivos.
A parte mais engraçada foi o início, quando ele jogou a culpa do fim do namoro pro meu namoro anterior. Talvez ele não se lembre que acabou quando ELE me largou sozinha e disse que não tinha estrutura pra enfrentar o processo da doença que eu estava passando (doença física, nada mental, só pra garantir). Tudo seria até ok, se ele não tivesse sido o transmissor da doença que eu tinha que tratar (calma! eu não estou morrendo) e se não tivesse saído da forma mais sacana possível - esperou que eu entrasse no banheiro e FUGIU, literalmente. não sem desligar o celular antes, pra evitar ligações escandalosas.
Ele: Você sabe qual era o nosso problema, hã?
Eu: Confesso que não penso nisso...não sei não
Qual era?
Ele: Não lembra?
Você nunca ligou pra minha mãe. Depois que a gente terminou você deve ter vindo aqui em casa umas 2 x no máximo.....
Na "casa" da mãe do aqui tinha o nome do meu ex antes dele você ia toda semana, 2x ou 3x
Eu: Bem...é uma pena que vc tente comparar...
Tinha uma relação de nora e sogra com sua mãe
E uma relação de mãe e filha com aqui tinha o nome da minha ex-sogra, até hoje
Quando eu falei que sou feliz por nunca termos voltado, ele resolveu apelar:
Ele: Eu fui tão mal assim?
Eu: Não fizemos bem um ao outro juntos
Vc tem novas chances
Eu tenho novas chances
Ele: Confesso que às vezes tenho boas lembranças do nosso namoro.
Eu: Confesso que quis superar logo de cara...
Demorei muito...
Sofri, chorei...
Mas me reergui
E, por um tempo, tive mais mágoa do que alegrias...
Hj, pra mim, foi um tempo que passou
Tenho bem resolvido...lá no passado
Ele: Então... Está morto e enterrado?
Eu: Há muito tempo
Ele: Por curiosidade.
Haveria alguma chance de ressuscitar?
Eu: nenhuma
Nunca direi nunca
Mas não vejo alternativas hj
Esse é um feliz adeus. Feliz mesmo.
quarta-feira, julho 07, 2010
terça-feira, julho 06, 2010
Não sei contabilizar os segundos, os minutos, os dias e os meses. Mas os anos: foram 2 e uns quebrados. E eu vejo que aquela menina viva, esperta, inteligente e cheia de esperanças ficaria arrasada ao ver a mulher de hoje.
Tempo de vida: 27 anos
Novidades: Quase nenhuma das informações que estão aí ao lado
E eu ainda busco uma saída...
Tempo de vida: 27 anos
Novidades: Quase nenhuma das informações que estão aí ao lado
E eu ainda busco uma saída...
quinta-feira, março 20, 2008
Plena quinta-feira de sol em Salvador. Era algo em torno de 12h30. Os termômetros marcavam 35°. O ônibus, um Cabula vi, parava no primeiro ponto do Comércio, logo abaixo do Elevador Lacerda. Como formigas que encotraram um torrão de açúcar, vários vendedores de picolés, águas, refrigerantes e semelhantes (leia-se H2OH! Esse negócio está dominando o mundo, hein?) correram para as janelas do ônibus.
Em meio aos gritos de ofertas, podia-se distinguir, claramente, uma voz mais exaltada. Inicialmente os gritos eram "Olha a água! Olha a água". Mas, diante da inércia dos pasageiros que pareciam não interessados, o tal vendedor apelou para uma tática mais...digamos...DESESPERADA! "OLHA A ÁGUA, PORR*! UM CALOR DA PORR* E NÃO TEM NINGUÉM COM SEDE NESSE ÔNIBUS NÃO, CARALH*?".
Não, a tática não funcionou, mas rendeu um bom riso.
* contextualização: vale lembrar que em Salvador o termo "porr*", apesar de ser considerado palavrão, é usado com maior freqüência que em outras cidades. Digamos que seja o equivalente a "merd*" e "bost*". Além disso, pode servir de vocativo "Venha cá, seu porr*", substantivo "essa porr* não funciona mesmo" e qualquer outra função que a criatividade baiana permitir.
Em meio aos gritos de ofertas, podia-se distinguir, claramente, uma voz mais exaltada. Inicialmente os gritos eram "Olha a água! Olha a água". Mas, diante da inércia dos pasageiros que pareciam não interessados, o tal vendedor apelou para uma tática mais...digamos...DESESPERADA! "OLHA A ÁGUA, PORR*! UM CALOR DA PORR* E NÃO TEM NINGUÉM COM SEDE NESSE ÔNIBUS NÃO, CARALH*?".
Não, a tática não funcionou, mas rendeu um bom riso.
* contextualização: vale lembrar que em Salvador o termo "porr*", apesar de ser considerado palavrão, é usado com maior freqüência que em outras cidades. Digamos que seja o equivalente a "merd*" e "bost*". Além disso, pode servir de vocativo "Venha cá, seu porr*", substantivo "essa porr* não funciona mesmo" e qualquer outra função que a criatividade baiana permitir.
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