sexta-feira, junho 06, 2003

Eu me odeio. Deu vontade e eu fiz uma besteira sem tamanho...
Saí da faculdade no meio da aula de Direito Administrativo, fui no Iguatemi, comprei uma promoção nº1 (Big Mac) na Mc Donald's e tomei um sorvete de duas bolas (chocolate + chocrocante) com casquinha que tem chocolate com castanhas na borda.
Gastei dinheiro (a coisa tá difícil, minha mãe era mais mão aberta que meu pai);
Gastei combustível (todo dinheiro que eu ganho tá indo pro combustível);
Perdi um precioso tempo que seria pra estudar pra proda de Direito Civil II amanhã;
Filei uma aula importantíssima
E o pior de todos...ganhei uns 10 Kg nessa brincadeirinha!
ÓDIO! ÓDIO! ÓDIO!

quinta-feira, junho 05, 2003

Meu priminho de 2 anos está doente, uma gripe chata que veio incomodá-lo. A mãe dele, também minha prima, zelosa como só ela sabe ser, foi dar um remedinho ao pimpolho, que prontamente recusou a droga. Diante da situação, minha prima soltou a pérola (típica de mãe): "Tem que tomar o remedinho para não ficar mais doentinho e morrer". O menino surpreendeu a todos, dizendo: "Deixa Alê morrer, mamãe, pra ficar pertinho de Tia Si (minha mãe)".
Depois de muito enrolar, atualizei as minhas características aí ao lado. Pensei seriamente em colocar que sou a pessoa mais ocupada que vocês já viram na vida, que as olheiras têm feito parte da minha face, que sei arranhar a caixa de marcha do meu carro como ninguém e que adoro andar virada na porra (leia-se em alta velocidade) por essa cidade. Mas achei que os meus amigos deveriam ser poupados dos detalhes sordidos.

domingo, maio 25, 2003

É isso...hoje é o meu aniversário. Parabéns pra mim e obrigada a todos que estão tentando fazer com que esse dia seja repleto de alegrias, apesar da dor e da saudade!

domingo, maio 11, 2003


17/12/1952 - 21/04/2003


Foste minha mãe. Mãe do meu irmão. Mãe do meu pai, ele costumava dizer que era teu filho mais velho. Foste mãe até da tua mãe. Das tuas irmãs. De Silvinha, que perdeu a mãe tão cedo e ao te ver ir embora, disse: "É a 2ª mãe que eu perco". De tantas outras pessoas. A quantas pessoas tu não deste uma festa de casamento especial? Para quantas pessoas tu não preparaste uma festa de aniversário inesquecível? Quem pode dizer que não teve o prazer de ter um momento alegre planejado por ti?
Há dias já eu não chorava. Tu me ensinaste a viver com alegria, a não olhar para o problema, mas para as soluções, tu nos ensinaste a viver. E é isso que eu tenho feito. Continuo a mesma menina sorridente que me ensinaste a ser. Continuo seguindo teus ensinamentos. Agora até mais, pq sei que sou mais responsável por mim mesma.
Mas não agüentei ao perceber que, mesmo já fazendo 20 dias, muitas pessoas ligaram, mandaram mensagens de Feliz Dias das Mães para ti. Achando todos que tu ainda estavas entre nós. Fico feliz por tu teres sido tão amada. Fico mais feliz ainda por saber que foste escolhida para ser minha mãe e que desfrutei do teu amor por quase 20 anos. Sei que foi pouco tempo e isso até me machuca, mas valeu a pena mesmo assim.

quinta-feira, maio 08, 2003

Eu costumo falar do meu aniversário o mês inteiro, mas, na verdade, a data é no fim do mês. Dia 25 de maio. Linda data, né? Quero presente!

segunda-feira, maio 05, 2003

Eu não tenho um pingo de vergonha em perguntar:
- O que eu vou ganhar de presente?
Minha mãe me ensinou a amar o dia do meu aniversário. Ela sempre me fez sentir a pessoa mais especial do mundo, no dia do meu aniversário. Gosto que os amigos lembrem, que liguem, que me mandem um cartãozinho que seja. Pergunto para não deixar que esqueçam da data. Gosto de ser lembrada. Por sinal, já sei o que vou ganhar do meu namorado e ADOREI!
- briguei com meu namorado (a culpa foi dele);
- meu pedido de segunda chamada foi indeferido;
- quase matei um motoqueiro.
No mais, tudo indo.

sexta-feira, abril 25, 2003

Assim foi o enterro da minha mãe:
Sem escândalos
Choros baixos, de saudade
Muitos, muitos, muitos amigos
Muito, muito, muito amor
Ela com uma feição linda, parecendo sorrir, tranqüila
Em torno de 200 pessoas (ou até mais)
Nós nos despedindo da minha mãe, que agora não sofre mais. Está num lugar melhor que essa terra de sofrimento, eu creio. E foi sem sentir dor. Segundo meu pai, foi uma morte tranqüila. A respiração foi diminuindo, ela não gritou, não procurou ár, nem nada do tipo. Agradeço a Deus por isso. Era assim que ela queria.

quarta-feira, abril 23, 2003

terça-feira, abril 22, 2003

Parece que ela vai entrar pela porta a qualquer momento. Pareço anestesiada, sei que cairei em mim daqui a uns dias ou horas. Foi uma mulher que lutou, lutou muito. É minha heroina, meu exemplo de vida. Eu a amo!

segunda-feira, abril 21, 2003

Ela faleceu hoje. Eu estou tranqüila. Só sentirei saudades. Sei que foi pro céu.

domingo, abril 20, 2003

Nunca imaginei que algo assim fosse acontecer comigo, mas vamos lá...
Passei a tarde de hoje quase toda com minha mãe, lá no hospital. Ficamos eu, minha tia Naria, minha tia Gal e meu tio Tuca (elas são irmãs do meu pai e o último é casado com minha tia Gal). A tarde toda foi tranqüila, minha mãe sedada, não falou nada, só gemeu um pouco, a cena não é das mais bonitas, mas nada nos assustava muito. Ficamos observando sinais de melhora, ficamos a procura de algo que mostrasse que ela está reagindo. Como de rotina, as enfermeiras entraram para medir a pressão arterial da minha mãe. Primeiro foi 10 por 6. Ainda é uma pressão normal para ela. Vieram as visitas, enquanto ela dormia mesmo. Outra vez a pressão, 8 por 6. Já ficamos mais alertas. Mias uma ves a pressão, 7 por 6. E ela ficava cada vez mais gelada. A enfermeira-chefe chamou o médico de plantão. Ele leu todo o resumo no prontuário dela (paciente em estado grave). Conversou com a médica que a acompanha há 7 anos e veio conversar conosco.
A primeira coisa que ele perguntou: "Quem é o esposo dela?". Nós respondemos que ele não estava ali, mas que eue ra filha. Ele olhou a pupila da minha mãe e disse: "Vocês sabem que o estado dela não é nada bom, ela é uma paciente em situação grave e nós não temos nenhuma alternativa para fazer com que essa pressão volte ao normal. Sinto muito, mas a tendência é a pressão baixar mais, até chegar a 0". Alguém tem noção do que é ouvir isso? O pastor da igreja da minha mãe tinha acabado de sair do quarto. Eu saí correndo pelo corredor atrás dele, ele já tinha descido pelo elevador. Desci as escadas e passei correndo pelo saguão do hospital. Corri em direção ao portão do hospital, atravessei a rua que separa o hospital do estacionamento e perguntei, já em prantos, se o vigilante tinha visto ele passar. Ele disse que não tinha certeza. Quando olhei de novo para o hospital, ele ainda estava lá na frente. Voltei e falei a ele, em prantos: "O médico disse que não tem mais jeito. A pressão dela vai para 0 e ele não tem como alterar isso". Eu chorava loucamente. E ele disse: "Creia no Médico dos médicos".
Meu tio foi me buscar, me trouxe até o apartamento e disse que me levaria para casa. Cheguei lá em cima e minhas tias estavam em prantos. Mas elas tentavam ser fortes para me ajudar. Me debrucei em minha mãe e comecei a beijar-lhe a testa. Eu repetia, em prantos: "Eu te amo e Deus também te ama. Reage, por favor!". O corpo dela era puro gelo, a aparência não era das melhores. Eu tentava perceber qualquer parte quente no corpo dela. Eu não parava de chorar e resolvi vir pra casa, aqui eu poderia orar em paz e não veria minha mãe sendo condenada a morte.
Eu vim dirigindo (não sei onde arranjei equilibrio para isso) e minha tia Gal veio comigo. Ela me falava de milagres. Ela me contou a história de uma mulher que nem mais saliva tinha, não tinha mais nenhum sinal vital. Cheguei em casa, em prantos, mas tive que disfarçar, para não passar sofrimento pra meu pai, meu irmão, minha avó e uma de minhas tias que estão aqui.
Resolvi chamar uma de minhas tias, a que é mais fervorosa, e disse: "Vamos orar pela minha mãe. Clamar mesmo, pois, segundo o médico, não tem mais jeito, a pressão dela vai a 0 e ela vai embora". Começamos a orar, pedindo do fundo do coração que Deus operasse um milagre ali. Que assim como ele fez com a filha de Jairo (Lucas 8), minha mãe fosse curada. Eu saí do hospital já sendo considerada praticamente órfã de mãe. O médico assim me olhou, as enfermeiras também. Todos sentiram pena, quando me viram debruçada em minha mãe, chorando, pedindo misericórdia a Deus.
Almocei, assim que terminei de orar (já pras 5h da tarde), e logo depois meu tio ligou do hospital: a pressão dela tinha voltado a subir.
Eu não sei como vocês chamam isso, mas eu tenho um nome: MILAGRE!

quinta-feira, abril 17, 2003

Eu só queria o colo, um cafuné e as palavras: "Tudo vai passar!".
Nós estamos todos tão perdidos, que é bom receber qualquer tipo de apoio. Às vezes um abraço, um beijo, sem perguntar nada, sem querer saber, só por apoiar, já faz a diferença. Ainda bem que meu irmão tem tido alguém ao lado dele, ela tem se preocupado, procura sempre saber como ele está, eles não conversam sobre o assunto, mas ela abraça, ela liga. Sinto MUITA falta disso. Infelizmente não tenho ninguém em especial para se importar comigo, para me ligar, para me dizer "eu te amo". Às vezes é só isso que eu quero ouvir. Cada dia é uma luta nova, cada dia é uma ida ao hospital, a faculdade ou a outro lugar, sempre sozinha no carro, com meus problemas, com as minhas aflições, com a minha solidão. Às vezes eu só quero um "olha, eu te amo e estou aqui pro que der e vier". Alguns amigos têm tentado cumprir esse papel, mas é difícil. É engraçado como se percebe que nesse ponto os amigos homens costumam ser mais dedicados, 3 amigos homens me ligaram hoje. Um queria me chamar pra estudar, pq sabia que eu não conseguiria sozinha, infelizmente não me achou em casa. Um outro queria me dizer que´vai viajar hoje, mas que me liga amanhã e me liga quando chegar, ele sempre pede que eu sorria e que eu seja a mesma birrenta de sempre. O outro só queria saber como eu estava, não queria incomodar, me disse que está a minha disposição se eu quiser sair pra me distrair. Somente 2 amigas que estão próximas são mais preocupadas: Juliana, que se mostrou a mais empenhada em saber como eu estou e em tentar me distrair; e Thaís, que está sempre mandando recados pra mim, desde que minha mãe entrou no hospital que eu não falo com ela, mas sempre recebo os recados.
Dói passar por tudo isso de uma forma tão solitária. É um momento doloroso pelo que estou passando com minha mãe e por estar querendo reconstruir quase que sozinha um namoro. Parece brincadeira, nem eu sei como estou agüentando. Num momento desse, me encho de esperança e penso num futuro melhor. Afinal, eu não sei se agüentaria mais sofrimento.

terça-feira, abril 15, 2003

Pode parecer insensatez, mas, nesses momentos dificeis, um filho seria um presente. Sei que sou nova e ainda nem me sustento, mas seria uma pontinha gostosa de felicidade.

segunda-feira, abril 14, 2003

As coisas vão em altos e baixos. Em alguns dias, ela apresenta significativas melhoras, mas em outros permanece na mesma. Estamos convivendo com isso. Tem sido difícil, mas é a vida. Confesso que ultimamente a minha reação tem sido fugir. Eu a amo muito e não quero vê-la sofrer. Uma das minhas grandes dificuldades é a solidão. Poucas amigas têm se prontificado para mim, inclusive tive um sábado legal por causa de uma delas, Juliana. Minha família não tem estrutura para me apoiar, estamos todos debilitados, meu pai está claramente estafado e meu irmão muito triste. Tentei logo recorrer ao meu namorado, infelizmente não achei receptividade. De repente, me vi praticamente só. Isso tudo veio para, dentre outras coisas, me ensinar a enfrentar meus problemas sozinhas. Eu sempre precisei da minha mãe, do meu namorado, de uma amiga para enfrentá-los. De repente, quem se prontificaria não pode, pois é a mais atingida por tudo. E os outros, por motivos diversos, não se prontificaram também. Então, somos eu e Deus nessa labuta. E assim vou levando a vida, meio anestesiada, sem ver muita graça nas coisas, mas levando...

quinta-feira, abril 10, 2003

Às vezes eu percebo que todo o meu sofrimento é insignificante diante do sofrimento de algumas famílias africanas, algumas famílias iraquianas e até de algumas famílias brasileiras. Viver dói.

segunda-feira, abril 07, 2003

Cheguei a um ponto de muito sofrimento. A dor é tanta que a cabeça e o coração só pedem descanso. Nós temos que viver acreditando em dias melhores. Acreditando que minha mãe voltará para casa, sorrindo, feliz por ter ultrapassado mais essa barreira.
Ô doença ingrata!