É constrangedor ser honesto nesse país. É besteira, bobeira. É ser "o enganado" da história. Ao ler a entrevista da Alison Brum na Época Digital - e é uma entrevista especialmente importante para mim, pois amo a língua portuguesa e tenho uma queda por tradução -, me vi assemelhada a ela.
Eis a minha história. Acordei cedo na quarta-feira, ou melhor, acordei às 6h30, a fim de sair por volta das 7h. E isso é, sim, muito cedo para o meu desajustado relógio biológico. O objetivo era percorrer 12 Km para pegar uma senha para comprar o ingresso de uma das bandas preferidas. Peguei a senha e saí para acertar coisas, enquanto a bilheteria não abria e isso estava previsto para acontecer ao meio dia. Ao voltar, descobri que as vendas não seriam naquele dia e que meu trabalhoso deslocamento (feito em duas etapas de ida e volta) tinha sido por nada. A revolta me tomou. As acusações foram duras contra todos envolvidos nessa atrapalhação. Por fim, veio uma promessa de que todos os que tinham a senha de quarta, teriam ingressos.
Não me confiei nela. Acordei quinta bem mais cedo, peguei uma senha bem menor e comprei meu ingresso, enquanto assistia ao desespero dos que não tinham senha (e esse desespero começou às 9h da manhã). Mas uma amiga muito querida não tinha ingressos. Fiquei compadecida e usei a senha do dia anterior como motivo para comprar mais quatro entradas, quando já estava tudo esgotado nas bilheterias. Consegui de uma forma não honesta, mas consegui. Sentia-me tão mal. E sentia-me pior por ter comprado dois a mais do que realmente precisava, só para revender a um preço que eu considerava razoável.
Primeiro: a dor de ser desonesta e conseguir quatro ingressos aos quais eu não tinha direito.
Segundo: a dor de revender por um preço elevado, mas bem em conta se comparado com os dos outros "revendedores". Eu cobrava 160 pilas, por algo que tinha me saído por 120. Tinha gente cobrando 180 por cada ingresso, ou seja, mais do que eu cobrei por um par.
Eis a história da Alison, narrada na tal entrevista. O que este contato profundo com a nossa língua te mudou?
Alison – A língua é um meio de a cultura chegar à pessoa. Conforme fui vivendo, estou há 14 anos no Brasil, fui relaxando com relação a certas coisas, nesta preocupação com regras. Outro dia tive de ir à Polícia Federal avisar da minha mudança de endereço. Eu não sabia, mas estrangeiro tem 30 dias para avisar que mudou de endereço. Aí fui lá já meio brasileira, quis dar uma de que não entendia esta regra de 30 dias e ver se conseguia não pagar a multa. Passei o comprovante do endereço novo. A funcionária perguntou: “Há quanto tempo você se mudou?”. Eu não aguentei e tive de falar: “Há três anos”. Depois contei para o meu marido e virei a piada do final de semana entre todos os amigos: só gringa para pagar multa.
Esse blog servirá como um tipo de terapia, através dele vou tentar exorcizar todos os males que me atingem, sejam eles meus ou não.Vou conseguir?!Não sei.
sábado, agosto 21, 2010
sexta-feira, agosto 20, 2010
prazer em ser mulher, porra. esta última, uma expressão. não demonstra falta de pudor ou educação. e uma mulher se basta por ser mulher e ter peitos, não pelo pudor.inspirado pela sensualidade vinda da Juliana Cunha
Uma mulher de 22 é puro potencial. Ela pode ser tudo. E parece ser.
Aos 25, somos o que somos. Nosso potencial aparece menos. O que somos aparece mais.
Aos 27, sem potencial, sem ser. Anuladas. Se, antes, lutamos e alcançamos algo. Alívio.
Se isso não aconteceu, atraso.
Quem será a mulher de 30?
Aos homens a alegria. Bobos aos 22. Menos bobos aos 25. Menos ainda aos 27. E estes parecem tão belos às meninas que são puro potencial. Às de 27, sobram os mais bobos de todos.
|| bobagem amarga ||
|| ciúme puro ||
|| acaba por aqui ||
Aos 25, somos o que somos. Nosso potencial aparece menos. O que somos aparece mais.
Aos 27, sem potencial, sem ser. Anuladas. Se, antes, lutamos e alcançamos algo. Alívio.
Se isso não aconteceu, atraso.
Quem será a mulher de 30?
Aos homens a alegria. Bobos aos 22. Menos bobos aos 25. Menos ainda aos 27. E estes parecem tão belos às meninas que são puro potencial. Às de 27, sobram os mais bobos de todos.
|| bobagem amarga ||
|| ciúme puro ||
|| acaba por aqui ||
sábado, agosto 14, 2010
quarta-feira, julho 28, 2010
Ela falava alto, não escondia (ou não conseguia fazê-lo) o tanto de emoção que cada palavra carregava. Era uma clínica. Daquelas chamadas clínica de imagem. Mas isso pouco interessa, pois o que realmente importava para ela, naquele dia, não era um diagnóstico médico.
Demorei a perceber quem estava do outro lado. Não me culpe se eu ouvia a conversa. De fato, ela tentou evitar. Mas não era algo que se pudesse evitar. Ainda que na sala tivessem crianças correndo e gritando e uma televisão ligada no desenho animado de todas as manhãs.
Do outro lado da linha, um rapaz, por quem a moça nutria uma paixão. Era clara a ausência de reciprocidade. Ela cobrava, pedia mais atenção, queria saber onde ele estava, por onde tinha andado. E, mesmo que não se pudesse escutar o que ele respondia, ficava óbvio que tudo que ele queria era que ela não tivesse telefonado.
Ele dizia que passou o fim de semana na casa da mãe. Ela dizia que a distância que sempre existiu entre eles era acentuada pelas ações dele. Ela cobrou - indiretamente, é verdade - que ele correspondesse ao tempo que ela passou investindo nele.
Em algum momento, ela resolveu virar-se para a parede, na tentativa de evitar a atenção dos que estavam por perto. No entanto, sua voz refletia no obstáculo e ressoava ainda mais clara.
Percebi que aquele era um dia doloroso para ela, a moça que tomou o elevador em que eu já estava e foi para a mesma clínica que eu ia. Uma mulher que, a cada palavra, perdia seu amor próprio e implorava por uma atenção que nunca será exclusivamente dela.
Demorei a perceber quem estava do outro lado. Não me culpe se eu ouvia a conversa. De fato, ela tentou evitar. Mas não era algo que se pudesse evitar. Ainda que na sala tivessem crianças correndo e gritando e uma televisão ligada no desenho animado de todas as manhãs.
Do outro lado da linha, um rapaz, por quem a moça nutria uma paixão. Era clara a ausência de reciprocidade. Ela cobrava, pedia mais atenção, queria saber onde ele estava, por onde tinha andado. E, mesmo que não se pudesse escutar o que ele respondia, ficava óbvio que tudo que ele queria era que ela não tivesse telefonado.
Ele dizia que passou o fim de semana na casa da mãe. Ela dizia que a distância que sempre existiu entre eles era acentuada pelas ações dele. Ela cobrou - indiretamente, é verdade - que ele correspondesse ao tempo que ela passou investindo nele.
Em algum momento, ela resolveu virar-se para a parede, na tentativa de evitar a atenção dos que estavam por perto. No entanto, sua voz refletia no obstáculo e ressoava ainda mais clara.
Percebi que aquele era um dia doloroso para ela, a moça que tomou o elevador em que eu já estava e foi para a mesma clínica que eu ia. Uma mulher que, a cada palavra, perdia seu amor próprio e implorava por uma atenção que nunca será exclusivamente dela.
sábado, julho 24, 2010
sexta-feira, julho 23, 2010
Com o tempo descobrimos a riqueza de estar só. Fortalecer-se, descobrir-se. O que gosto, o que quero, o que sonho. Vou despertando a mulher que há em mim. Com poucas interferências. Não há uma sociedade. Somos eu e meus posicionamentos. Só.
Sem dar satisfações, vou sendo mais eu. Gosto de quem sou. Poderia ser eu, mais vezes. Por que me deixo influenciar tanto? Sou essencialmente bela.
Sem dar satisfações, vou sendo mais eu. Gosto de quem sou. Poderia ser eu, mais vezes. Por que me deixo influenciar tanto? Sou essencialmente bela.
sábado, julho 10, 2010
sexta-feira, julho 09, 2010
Em um dia chuvoso em Salvador...
É bom ver coisas realmente resolvidas. Ainda que seja incômoda a tentativa de um ex de reaparecer para mexer com coisas do passado. :: e já se vai mais de um ano. ele tentou algumas vezes, mas a minha negativa é permanente :: Hoje, mais uma vez, fui enfática. É a alegria de resolver algo que foi apaixonante no início, mas que, com o tempo, foi marcando mais pelos pontos negativos do que pelos positivos.
A parte mais engraçada foi o início, quando ele jogou a culpa do fim do namoro pro meu namoro anterior. Talvez ele não se lembre que acabou quando ELE me largou sozinha e disse que não tinha estrutura pra enfrentar o processo da doença que eu estava passando (doença física, nada mental, só pra garantir). Tudo seria até ok, se ele não tivesse sido o transmissor da doença que eu tinha que tratar (calma! eu não estou morrendo) e se não tivesse saído da forma mais sacana possível - esperou que eu entrasse no banheiro e FUGIU, literalmente. não sem desligar o celular antes, pra evitar ligações escandalosas.
Ele: Você sabe qual era o nosso problema, hã?
Eu: Confesso que não penso nisso...não sei não
Qual era?
Ele: Não lembra?
Você nunca ligou pra minha mãe. Depois que a gente terminou você deve ter vindo aqui em casa umas 2 x no máximo.....
Na "casa" da mãe do aqui tinha o nome do meu ex antes dele você ia toda semana, 2x ou 3x
Eu: Bem...é uma pena que vc tente comparar...
Tinha uma relação de nora e sogra com sua mãe
E uma relação de mãe e filha com aqui tinha o nome da minha ex-sogra, até hoje
Quando eu falei que sou feliz por nunca termos voltado, ele resolveu apelar:
Ele: Eu fui tão mal assim?
Eu: Não fizemos bem um ao outro juntos
Vc tem novas chances
Eu tenho novas chances
Ele: Confesso que às vezes tenho boas lembranças do nosso namoro.
Eu: Confesso que quis superar logo de cara...
Demorei muito...
Sofri, chorei...
Mas me reergui
E, por um tempo, tive mais mágoa do que alegrias...
Hj, pra mim, foi um tempo que passou
Tenho bem resolvido...lá no passado
Ele: Então... Está morto e enterrado?
Eu: Há muito tempo
Ele: Por curiosidade.
Haveria alguma chance de ressuscitar?
Eu: nenhuma
Nunca direi nunca
Mas não vejo alternativas hj
Esse é um feliz adeus. Feliz mesmo.
É bom ver coisas realmente resolvidas. Ainda que seja incômoda a tentativa de um ex de reaparecer para mexer com coisas do passado. :: e já se vai mais de um ano. ele tentou algumas vezes, mas a minha negativa é permanente :: Hoje, mais uma vez, fui enfática. É a alegria de resolver algo que foi apaixonante no início, mas que, com o tempo, foi marcando mais pelos pontos negativos do que pelos positivos.
A parte mais engraçada foi o início, quando ele jogou a culpa do fim do namoro pro meu namoro anterior. Talvez ele não se lembre que acabou quando ELE me largou sozinha e disse que não tinha estrutura pra enfrentar o processo da doença que eu estava passando (doença física, nada mental, só pra garantir). Tudo seria até ok, se ele não tivesse sido o transmissor da doença que eu tinha que tratar (calma! eu não estou morrendo) e se não tivesse saído da forma mais sacana possível - esperou que eu entrasse no banheiro e FUGIU, literalmente. não sem desligar o celular antes, pra evitar ligações escandalosas.
Ele: Você sabe qual era o nosso problema, hã?
Eu: Confesso que não penso nisso...não sei não
Qual era?
Ele: Não lembra?
Você nunca ligou pra minha mãe. Depois que a gente terminou você deve ter vindo aqui em casa umas 2 x no máximo.....
Na "casa" da mãe do aqui tinha o nome do meu ex antes dele você ia toda semana, 2x ou 3x
Eu: Bem...é uma pena que vc tente comparar...
Tinha uma relação de nora e sogra com sua mãe
E uma relação de mãe e filha com aqui tinha o nome da minha ex-sogra, até hoje
Quando eu falei que sou feliz por nunca termos voltado, ele resolveu apelar:
Ele: Eu fui tão mal assim?
Eu: Não fizemos bem um ao outro juntos
Vc tem novas chances
Eu tenho novas chances
Ele: Confesso que às vezes tenho boas lembranças do nosso namoro.
Eu: Confesso que quis superar logo de cara...
Demorei muito...
Sofri, chorei...
Mas me reergui
E, por um tempo, tive mais mágoa do que alegrias...
Hj, pra mim, foi um tempo que passou
Tenho bem resolvido...lá no passado
Ele: Então... Está morto e enterrado?
Eu: Há muito tempo
Ele: Por curiosidade.
Haveria alguma chance de ressuscitar?
Eu: nenhuma
Nunca direi nunca
Mas não vejo alternativas hj
Esse é um feliz adeus. Feliz mesmo.
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